Mandados de busca e apreensão são cumpridos nesta quarta-feira (28); Justiça determinou o afastamento de servidores e o bloqueio de bens dos suspeitos de envolvimento no esquema
Pelo menos R$ 24 milhões foram desviados dos cofres públicos de Ferraz de Vasconcelos, segundo investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP). O esquema envolve servidores, políticos e empresários, e levou ao cumprimento de mandados de busca e apreensão na Prefeitura e na Câmara Municipal na manhã desta quarta-feira (28).
Mais de cem agentes participam da operação, que também resultou no afastamento de servidores suspeitos e no bloqueio de bens e valores ligados aos investigados e empresas envolvidas.
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Operação do MP em Ferraz de Vasconcelos conta com o apoio da Polícia Militar — Foto: Maiara Barbosa/TV Diário
A Operação TAC foi deflagrada pelo MPSP, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (GAEMA), com apoio da Polícia Militar. A investigação teve início a partir de dados compartilhados pela Operação Munditia, obtidos em aparelhos de um ex-vereador.
De acordo com o Ministério Público, servidores, políticos e empresários teriam atuado juntos para firmar dois Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) na Prefeitura, em troca de propina. A suspensão de certidões de dívida ativa de uma empresa, referentes a infrações ambientais, e a desistência de ações judiciais pelo município teriam sido negociadas mediante pagamento ilícito.
Nos acordos, a empresa assumiu obrigações ambientais, cujo cumprimento ainda será apurado, inclusive com atuação conjunta do GAEMA.
O pagamento da propina teria ocorrido por meio da emissão de notas fiscais em nome de empresas, algumas de fachada, e transferências de valores. A dívida da empresa, negociada entre os investigados, superava R$ 24 milhões.
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Mandados foram cumpridos na Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos — Foto: Alessandro Batata/TV Diário
Alvos da operação
O ministério públicou expediu 22 mandados de busca e apreensão que serão cumpridos em São Paulo, Suzano, Poá, Santana de Parnaiba e Belo Horizonte, em Minas Gerais. Entre eles, oito são de empresas envolvidas no esquema de propina.
Confira a lista dos alvos da operação:
- Adriano Dias Campos – secretário da administração da Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos
- Alex Christian Goulo – proprietário de uma das empresas investigadas
- Daniel Balke – vice-prefeito de Ferraz de Vasconcelos
- Daniel Mendes da Silva
- Ewerton de Lissa Souza – vereador
- Flávio ‘Inha’ Batista de Souza – ex-vereador
- Huan Bezerra Leão
- Marcos Tasso Martinelli
- Moacir Ferreira Filho
- Moacyr Alves de Souza – coordenador executivo da Secretaria do Meio Ambiente
- Pedro Paulo Teixeira Júnior – secretário da Fazenda
- Sérgio Ianni – representante de uma das empresas investigadas
Operação Munditia
Em janeiro de 2025, ex-servidores da Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos foram exonerados por envolvimento no esquema investigado pela Operação Munditia.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) o ex-vereador Flavio Batista de Souza, o “Inha”, de Ferraz de Vasconcelos, por fraudes em licitações. Além de Inha, outras nove pessoas também foram denunciadas.
Segundo o MPSP, a suspeita é que o grupo tenha fraudado licitações para favorecer uma empresa ligada à facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Em abril do ano passado, Inha, além dos ex-vereadores Luiz Carlos Alves Dias, de Santa Isabel, e Ricardo Queixão, de Cubatão, foram presos na Operação Munditia.
Em setembro de 2025, a Justiça aplicou diversas medidas cautelares ao ex-vereador. Inha era um dos acusados de frustrar e fraudar o Pregão Eletrônico nº 53/2023 da Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos para obter vantagens financeiras. Segundo a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), ele integraria uma organização criminosa estruturada por meio de pessoas jurídicas que simulavam concorrência em processos licitatórios.
Inha e os outros denunciados foram condenados a obedecer as restrições impostas, que incluíam o comparecimento periódico em juízo, a proibição de manter contato com investigados, a proibição de frequentar empresas ligadas ao caso e a suspensão do exercício de função pública.
Com informações do G1.











