CONSTRUÇÃO DA SEDE PRÓPRIA DO CAPS AD 24 HORAS AVANÇA NA REGIÃO CENTRAL DE SUZANO

Complexo de R$ 4,1 milhões terá 15 leitos, 35 salas de acolhimento e oferecerá tratamento especializado contra dependência em apostas
Redação: Lilly Barros | Tempo de leitura: 3 minutos
A Prefeitura de Suzano detalhou o cronograma de execução das obras estruturais da nova sede própria do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD 24 horas). O andamento dos serviços de engenharia civil foi apresentado pelo prefeito Pedro Ishi na última quarta-feira (17/06), durante vistoria técnica ao canteiro de obras situado na Rua Dr. Felício de Camargo, na região central. O empreendimento, orçado em R$ 4.146.273,35, é financiado por meio de repasses do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, com contrapartida financeira do tesouro municipal.
Os relatórios técnicos da Secretaria de Manutenção e Serviços Urbanos atestam que as frentes de trabalho atingiram 14,5% de execução física. O operariado concentrou as atividades na montagem de armações de aço, formas de contenção de concreto e na fundação de blocos e baldrames. A nova estrutura de saúde mental ampliará a capacidade física dos atuais 14 para 35 ambientes especializados e a oferta de leitos de hospitalidade noturna de 8 para 15 vagas, incluindo dormitórios adaptados para pessoas com deficiência. A inauguração do complexo próprio zerará o gasto anual de R$ 171,6 mil com a locação do imóvel atual na Vila Costa.
Crédito das fotos: Wanderley Costa/Secop Suzano
Construção de novo Caps em Suzano

A desoneração de R$ 171,6 mil anuais em aluguéis imobiliários gera reflexos financeiros diretos na folha de custeio da Secretaria Municipal de Saúde de Suzano. A migração do Caps AD para um prédio próprio permite o remanejamento definitivo dessa receita corrente para a compra contínua de medicamentos psicotrópicos e insumos de enfermagem. A expansão física para 15 leitos de retaguarda 24 horas amplia a resolutividade na estabilização de crises de abstinência e surtos psicóticos dentro da própria rede de atenção psicossocial, reduzindo o índice de internações de urgência e a ocupação de leitos de alta complexidade nos prontos-socorros gerais do Alto Tietê.

Sob a perspectiva corporativa do mercado imobiliário central e do setor de prestação de serviços de engenharia civil, a construção do complexo movimenta contratos com micro e pequenas empresas fornecedoras de insumos na comarca. Depósitos de materiais de construção locais, locadoras de betoneiras e distribuidoras de ferragens registram um incremento no fluxo de faturamento durante o cronograma de seis meses de obra. Esse aquecimento injeta capital direto no comércio de Suzano, gerando vagas de trabalho temporárias para pedreiros e armadores, além de abrir um mercado de serviços futuros para empresas terceirizadas de segurança patrimonial, limpeza hospitalar e lavanderia industrial.
Perspectivas Sociológicas e a Expansão da Assistência à Dependência de Jogos de Apostas
A introdução de um protocolo clínico voltado ao tratamento de patologias decorrentes da dependência de jogos de apostas virtuais no Caps AD reacende debates profundos entre sociólogos, sanitaristas e economistas sobre os novos desafios da saúde mental urbana. Correntes analíticas alinhadas ao posicionamento do secretário de Saúde, William Harada, defendem que a expansão das redes de acolhimento público é uma resposta civil indispensável para conter os danos financeiros e a desestruturação psíquica causados pela proliferação das plataformas digitais de apostas nas classes trabalhadoras. Para essa linha interpretativa, o Estado deve atuar de forma firme para mitigar o vício tecnológico.
Por outro lado, pesquisadores das ciências sociais e críticos da centralização de serviços ponderam se o modelo de Caps AD de grande porte na região central consegue absorver a demanda reprimida das periferias distantes do município. Sustenta-se que o verdadeiro acolhimento humanizado exige a descentralização de equipes volantes de assistência social e psicologia para atuar diretamente nos bairros distantes, como Palmeiras e Boa Vista, evitando que cidadãos em extrema vulnerabilidade precisem se deslocar por longas distâncias para obter atendimento. Diante das obras da nova sede, como você avalia o cenário: o governo deve focar as verbas na construção de grandes sedes próprias centrais para o Caps ou o orçamento deve priorizar a contratação de psicólogos e assistentes sociais para atender nos postos de saúde de todos os bairros?

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