Noland Arbaugh é o primeiro paciente a receber o implante cerebral da empresa de Elon Musk e conta como a tecnologia mudou sua vida
O que antes parecia ficção científica agora é realidade para Noland Arbaugh, um jovem de 30 anos que se tornou o primeiro paciente a receber um chip cerebral da Neuralink, empresa de neurotecnologia fundada por Elon Musk. O implante, realizado em janeiro de 2024, permite que ele controle um computador apenas com o pensamento, revolucionando sua interação com o mundo digital.
O caso de Arbaugh ganhou destaque não apenas pela inovação da tecnologia, mas também pelo impacto direto que teve em sua vida. Paralisado do pescoço para baixo há oito anos, após um acidente de mergulho, ele viu no chip uma forma de recuperar parte da independência perdida.
“Se tudo der certo, então poderei ajudar sendo um participante da Neuralink. Se algo terrível acontecer, sei que eles aprenderão com isso”, disse Arbaugh à BBC.
Como funciona o chip cerebral?
O dispositivo da Neuralink é uma interface cérebro-computador (BCI, na sigla em inglês), que funciona captando impulsos elétricos gerados pelo cérebro quando uma pessoa pensa em se mover. Esses sinais são então convertidos em comandos digitais, permitindo, por exemplo, que Arbaugh mova o cursor de um computador apenas com a mente.
A tecnologia não é inédita. Outras empresas já haviam desenvolvido implantes semelhantes, mas a Neuralink chamou atenção global pelo envolvimento de Elon Musk e pelo potencial de sua pesquisa em larga escala.
Desde que recebeu o chip, Arbaugh relatou uma melhora progressiva no controle do dispositivo, a ponto de conseguir jogar xadrez e videogames com amigos, algo que julgava impossível após o acidente.
“Agora estou vencendo meus amigos em jogos, o que realmente não deveria ser possível, mas é”, comemorou.
Tecnologia promissora, mas com desafios
Apesar do entusiasmo, especialistas apontam desafios e riscos da tecnologia, especialmente em relação à segurança e privacidade.
Segundo Anil Seth, professor de neurociência da Universidade de Sussex, o maior risco está na exposição dos dados cerebrais. “Se estamos exportando nossa atividade cerebral, então estamos, de certa forma, permitindo o acesso não apenas ao que fazemos, mas potencialmente ao que pensamos, no que acreditamos e ao que sentimos”, afirmou à BBC.
Outro problema enfrentado por Arbaugh foi uma falha temporária no chip, que resultou na perda total do controle do computador. O problema foi corrigido por engenheiros da Neuralink com ajustes no software, mas o incidente evidenciou os desafios técnicos ainda presentes.
O futuro da Neuralink e das interfaces neurais
A Neuralink é apenas uma das empresas investindo em interfaces cérebro-máquina. A Synchron, por exemplo, desenvolveu um chip semelhante, chamado Stentrode, que promete um implante menos invasivo. Em vez de cirurgia no cérebro, o dispositivo é introduzido por meio da veia jugular e posicionado dentro de um vaso sanguíneo no cérebro.
Outros pacientes já testam essas tecnologias e relatam benefícios, como a possibilidade de navegar na internet, interagir em realidade virtual e até mesmo “viajar” por meio de simulações imersivas.
No caso de Arbaugh, seu acordo com a Neuralink prevê o uso do chip por seis anos, sem uma definição clara do que acontecerá depois.
Mesmo sem garantias sobre o futuro, ele se mantém otimista. “Sabemos tão pouco sobre o cérebro e isso está nos permitindo aprender muito mais”, afirmou.

Foto: Reprodução/Neuralink