Documento do Fórum Econômico Mundial mostra que quatro dos cinco maiores riscos globais de longo prazo estão ligados à crise climática

Foto: Marcelo Souza – Presidente do INEC – Instituto Nacional de Economia Circular
Os riscos ambientais dominarão o cenário global nos próximos dez anos, segundo o Relatório de Riscos Globais 2025, publicado pelo Fórum Econômico Mundial. A análise aponta uma mudança significativa na percepção das ameaças à humanidade, revelando que a crise climática se intensificará, caso medidas urgentes não sejam tomadas. Enquanto os próximos dois anos serão marcados por conflitos armados, desastres naturais e crises econômicas, o horizonte de uma década aponta uma prevalência quase absoluta de riscos ambientais.
Riscos de curto prazo: guerras e crises econômicas
Na avaliação para os próximos dois anos, o relatório destaca como principal ameaça os conflitos armados entre estados, evidenciando o cenário geopolítico global cada vez mais instável. Na sequência, aparecem os desastres naturais e os eventos climáticos extremos, seguidos pelas crises de custo de vida, intensificadas por desigualdades sociais, inflação e problemas na cadeia de abastecimento.
Esses riscos refletem a tensão imediata enfrentada por governos e populações, exigindo ações rápidas e coordenadas. No entanto, o relatório chama a atenção para a urgência de pensar além do curto prazo e de enfrentar os desafios de forma estrutural.
Crise ambiental se consolida como o maior desafio da próxima década
Para o horizonte de dez anos, o relatório traça um cenário ainda mais preocupante: quatro dos cinco maiores riscos globais estão ligados diretamente às mudanças climáticas. A falha na mitigação das mudanças climáticas aparece como o principal risco a longo prazo, seguida pela falha na adaptação às novas condições climáticas. Os desastres naturais e eventos extremos permanecem entre os principais perigos, reforçando a imprevisibilidade do clima. Em quarto lugar, destaca-se a perda de biodiversidade e o colapso de ecossistemas.
Segundo o estudo, essa mudança de foco para os riscos ambientais demonstra que as ações tomadas até agora não têm sido suficientes. “A crise climática continua a se agravar e as medidas tomadas não são eficazes para reverter esse cenário”, alerta o relatório.
Economia circular como alternativa viável e necessária
Diante desse panorama, cresce o consenso entre especialistas sobre a necessidade de adoção de um novo modelo econômico. A economia circular se apresenta como uma das estratégias mais promissoras para enfrentar esses desafios, promovendo o uso inteligente e sustentável de recursos, reduzindo resíduos e estimulando a inovação.
Marcelo Souza, engenheiro, químico e CEO da Indústria Fox – Economia Circular, defende o modelo circular como uma saída efetiva e estratégica. “A economia circular não é apenas uma tendência, é uma urgência. Ela traz uma abordagem sistêmica que envolve desde o design de produtos até sua reutilização, promovendo uma verdadeira transformação na forma como produzimos e consumimos”, afirma.
Entre os pilares desse modelo estão o desenvolvimento de produtos duráveis e fáceis de reparar, a adoção de sistemas de compartilhamento, o estímulo à remanufatura e a valorização do reuso de materiais. A reciclagem, embora importante, deve ser o último recurso dentro dessa cadeia.
Benefícios da economia circular para o planeta e a sociedade
A adoção da economia circular traz diversos benefícios, tanto ambientais quanto econômicos. Ao reduzir a produção de resíduos e a poluição, esse modelo colabora diretamente para a mitigação das mudanças climáticas. Além disso, promove o uso eficiente dos recursos naturais, reduzindo a pressão sobre ecossistemas frágeis.
Outro ponto importante é o estímulo à inovação. “A transição para uma economia circular abre espaço para novos modelos de negócio, além de gerar empregos verdes e promover uma economia mais resiliente”, ressalta Marcelo Souza, que também é presidente do INEC – Instituto Nacional de Economia Circular.
Brasil pode ser protagonista na transição
Com sua rica biodiversidade e matriz energética relativamente limpa, o Brasil tem condições únicas para liderar a transição para a economia circular. No entanto, ainda faltam políticas públicas mais robustas, investimentos em tecnologia e conscientização por parte do setor produtivo e da população.
“Precisamos agir agora. Não basta mais tratar o meio ambiente como uma questão secundária. Ele deve ser o eixo central das decisões econômicas, políticas e sociais”, reforça Marcelo Souza.
A hora da virada
A conclusão do relatório do Fórum Econômico Mundial é clara: sem mudanças estruturais, os riscos ambientais se tornarão cada vez mais graves, com consequências irreversíveis para a humanidade. A economia circular surge como uma das poucas soluções viáveis para enfrentar a crise climática e promover um futuro mais sustentável.
“O que está em jogo não é apenas o bem-estar das próximas gerações, mas a própria sobrevivência da vida como conhecemos”, alerta Marcelo Souza. “Temos as ferramentas, o conhecimento e a tecnologia. O que falta é vontade política e ação imediata.”