CHINA RECONHECE TODO O TERRITÓRIO BRASILEIRO COMO LIVRE DE FEBRE AFTOSA E SUSPENDE PROIBIÇÕES

Decisão histórica encerra mais de 20 anos de negociações e deve expandir a exportação de carnes bovina e suína para o maior parceiro comercial do país.

A agência alfandegária da China anunciou oficialmente, nesta terça-feira (2), a suspensão de todas as proibições de importação relacionadas à febre aftosa que ainda vigoravam contra o norte do Brasil. Com a nova medida, o governo chinês passa a reconhecer formalmente todo o território brasileiro como totalmente livre da doença, consolidando o status sanitário do país no mercado asiático.

O anúncio representa uma vitória histórica para a diplomacia e para o agronegócio nacional, ocorrendo após mais de duas décadas de complexas negociações bilaterais. A confirmação do acordo foi sacramentada logo após a viagem oficial do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, a Pequim, para a realização de um encontro de “diálogo estratégico” com autoridades chinesas.

Em nota conjunta, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores do Brasil destacaram que a validação sanitária deverá ampliar significativamente o leque de oportunidades comerciais. A expectativa do governo é obter a abertura de mercado para novos cortes e subprodutos bovinos e suínos, incluindo itens de maior valor agregado como miúdos e carne com osso.

Relação comercial bilionária e pressões por cotas

O Brasil detém atualmente a posição de maior exportador global de carne bovina e de frango, tendo na China o seu principal cliente internacional. No consolidado do ano passado, o mercado chinês foi o destino de mais da metade de todo o volume de carne bovina embarcado pelo território brasileiro.

A relevância econômica dessa parceria é evidenciada pelos indicadores econômicos mais recentes: apenas no primeiro trimestre deste ano, a China — que ocupa o posto de maior importadora mundial de proteína bovina — movimentou quase US$ 3 bilhões em compras de carnes produzidas em frigoríficos brasileiros.

Apesar do avanço com o fim das restrições da febre aftosa, as tratativas comerciais entre as duas nações acumulam pontos de fricção. No final de maio, durante visita a Pequim, o ministro da Agricultura do Brasil, André de Paula, solicitou formalmente que a China transferisse ao Brasil as cotas de exportação de carne que não foram utilizadas por outros países fornecedores. No entanto, o governo chinês rejeitou o pedido de redistribuição de cotas feito pela comitiva brasileira.

Monitoramento de surtos e controle sanitário na Ásia

A decisão da China de certificar o Brasil ocorre em um momento em que as próprias autoridades de Pequim enfrentam desafios sanitários internos no setor pecuarista. No final de março, o país asiático confirmou o registro de um surto de febre aftosa em sua região noroeste.

A infecção viral foi oficialmente detectada em 219 bovinos pertencentes a dois rebanhos que somavam um total de 6.229 cabeças de gado na província de Gansu e na região autônoma de Xinjiang.

Para conter o avanço do vírus e proteger seu rebanho nacional, o governo chinês intensificou a fiscalização e os controles sanitários em suas faixas de fronteira, acelerou os processos de aprovação e distribuição de novas vacinas veterinárias, além de implementar protocolos rígidos de abate sanitário e desinfecção nas propriedades afetadas.

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