Representante de comércio do governo Trump sinaliza abertura para diálogo na França, mas soma de taxas pode elevar barreira alfandegária a 37,5%
Redação: Lilly Barros | Tempo de leitura: 3 minutos
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, tiveram um encontro nesta quarta-feira (03/06) nos corredores da reunião ministerial da OCDE, na França. Na ocasião, o norte-americano afirmou que Washington permanece aberto a dialogar sobre as tarifas adicionais propostas contra os produtos brasileiros [USTR]. A aproximação ocorreu após o Escritório de Comércio dos EUA concluir uma investigação que apontou que 60 países, incluindo o Brasil, falharam em proibir a importação de mercadorias produzidas por meio de trabalho forçado. Como sanção, o governo de Donald Trump propôs uma alíquota adicional de 12,5% [USTR].
De acordo com o Itamaraty, a nova sobretaxa deverá ser somada à tarifa de 25% proposta na última segunda-feira (01/06), que acusava o governo brasileiro de adotar práticas desleais de mercado e restrições envolvendo o sistema PIX. Caso as duas medidas entrem em vigor simultaneamente, a sobretaxa total aplicada sobre as mercadorias brasileiras saltará para 37,5% [USTR, Itamaraty]. O documento técnico traz um capítulo correlacionando a pecuária brasileira ao uso de mão de obra análoga à escravidão, alegando que o modelo gerou concorrência desleal contra produtores americanos no mercado da China [USTR]. Apesar do tom agressivo, os EUA recuaram estrategicamente e isentaram a carne bovina brasileira do pagamento da nova alíquota de 12,5% [USTR].
Sob a perspectiva corporativa do comércio exterior, a exclusão da carne bovina in natura da nova alíquota de 12,5% serve como um alívio financeiro momentâneo para a balança comercial nacional [USTR]. Contudo, consultorias de mercado alertam que a grave acusação de uso de trabalho forçado atenta contra a reputação internacional do produto brasileiro, servindo como pretexto para que outros blocos econômicos exijam auditorias de conformidade (compliance) socioambiental muito mais rígidas. O encarecimento de certificações privadas e processos de rastreabilidade de rebanhos eleva os custos fixos operacionais de cooperativas e agroindústrias de pequeno porte.
Perspectivas Sociológicas e a Diplomacia das Tarifas
A utilização de relatórios sobre direitos humanos e legislação trabalhista como ferramenta de pressão comercial divide opiniões entre sociólogos, economistas e diplomatas. Defensores de um alinhamento rigoroso às normas internacionais de direitos humanos sustentam que as restrições econômicas estrangeiras são legítimas e necessárias para forçar o Estado e a iniciativa privada a endurecerem a fiscalização contra o trabalho degradante no campo, promovendo maior justiça social e dignidade para as comunidades rurais vulneráveis.
Em contrapartida, analistas políticos de viés nacionalista e correntes ligadas à sociologia do desenvolvimento criticam o modelo, classificando as acusações de Washington como “protecionismo verde e social de fachada” [USTR]. Essa linha de argumentação aponta que as potências econômicas utilizam pautas humanitárias de forma seletiva apenas para blindar seus produtores locais da concorrência externa eficiente e travar o crescimento tecnológico de países em desenvolvimento. Diante das negociações abertas pelo Itamaraty na França, como você avalia o cenário: as tarifas americanas funcionam como um alerta válido para combater o trabalho escravo ou são apenas armas geopolíticas para proteger o mercado norte-americano?
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